Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado… Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados… Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite… Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado… Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela… Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.
Sempre me senti diferente dos outros. Não mais bonita, não mais inteligente, não mais especial, não mais esperta, não mais maluca, não mais legal, apenas diferente. Sou diferente na forma de sentir, tudo que me toca, me toca fundo. Tudo que me alegra, me alegra muito. Tudo que me dói, dói forte, corta. Nunca tive muitos freios em matéria de sentimento. Sempre que eu quis ir, fui. Muito me estrepei. Sempre que quis falar, falei. Muito me ralei. Aprendi um pouco a calar, a tentar respirar fundo e pensar.
Jamais achei que depositaria minha felicidade em algo tão incerto, em alguém tão inseguro, e em um futuro tão improvável.
Mas você desperta o meu melhor.
Me faz querer o melhor.
Só de pensar em ter você todas as noites, pertinho, só para mim, parece um sonho.
Neste mesmo tempo começam a aparecer dificuldades e paranóias.
Nem sei a que ponto são reais, mas não evitam aquele enjoo que surge repentinamente.
É nessa hora que quero dar um fim nisso, em todos os desejos e anseios.
Chego muito perto em te dizer tudo, mas aí eu a vejo…
Ah! A sua barba…
Começo a imaginá-la pelo meu rosto, pescoço, seios, barriga, e assim seguindo para um prazer completo.
Seja ela curta, média ou grande.
Aquela com jeito de ‘mal feita’.
Ou até aquela bem ‘aparada’. Simetricamente feita.
E quando você a deixa compridinha?
De tal modo que daria para enroscar os dedos, e dali não querer tirá-los nunca mais.
Sabe o que todos esses tipos possuem em comum?
Que independe a forma ou tamanho. Sendo sua, eu já amo todas.
Jamais faça a barba, que com o amor eu ajudo.
Nem sempre a vida trás de volta o que o tempo separou do coração.
A verdade é que sentir saudade é um inferno. Não existe pouca saudade ou muita saudade. Saudade é saudade e dói de qualquer maneira. É angustiante, não se consegue dormir, comer, pensar, falar, se concentrar com a tal da saudade. Eu, por exemplo, nunca consegui encarar a saudade de frente. A tal da saudade consegue ser menos pior quando sabemos que vamos poder matá-la (isso não contando com as ironias do destino), mas ainda assim é saudade. Conta-se os dias, as horas, os minutos, os segundos e os milésimos de segundo, conta-se a quantidade de noites não dormidas ou mal dormidas com a ansiedade. E escuta-se também “Nossa, que mau humor. Que bicho te mordeu?” Esse bicho se chama saudade. Mas, no fundo, se a saudade serve para alguma coisa, é exclusivamente para sentirmos a falta, e sentir falta é sinônimo de querer perto, de querer bem, de querer sempre e pra sempre. Só mais duas noites…
